Fight For Kisses, a memória da web

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Significativamente mais impressionante que o filme “FFK – Fight For Kisses” da Wilkinson, cujo link recebi repetidamente na semana passada por email com o título “Melhor Anúncio do Mundo”, é a sua carreira. Não sendo caso único, é exemplificativo de uma realidade que muitas vezes não se tem presente mas que é tão poderosa quanto as próprias ferramentas colaborativas 2.0 em si que as redes sociais potenciaram: a memória da Web.

Disponibilizado no You Tube há quase quatro anos, após um primeiro momento de buzz, FFK tem, desde então, merecido regular e consistente exposição, estando agora no quase cinco milhões e meio de visualizações, como mostra o gráfico acima. O balanço é também extremamente positivo quando se confrontam fãs e detractores, embora neste caso o número de dislikes seja elevado.

Perante esta memória que não se controla, tão pouco se apaga, é sobremaneira e cada vez mais crítico ser-se totalmente transparente e absolutamente consistente no que faz e no que se diz. Tal é tão válido para marcas comerciais como para a marca que, mais e mais, somos cada um de nós. Pesquise Ensitel no Google e observe as consequências. Já agora, pesquise por si também.

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Aston Martin em Lisboa: não havia necessidade

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Lisboa, onde vivo, e Aston Martin, que (ainda) não conduzo, estão no topo das minhas paixões. A combinação de ambos é, também por isso, muito sugestiva. Mas não no filme da marca que apresenta o novo modelo, Rapide, tantos os clichés e tão confrangedoras a narrativa e a interpretação. Tudo começa no restaurante Eleven, com a bandeira portuguesa literalmente como pano de fundo.

Como se percebe pelos relatos do making of abaixo, quem gere a marca Aston Martin parece mover-se mais pela ânsia de a tornar cool que em fazer viver a sua essência genética, de elegância, distinção e muita adrenalina. Não é simplesmente coerente. Há uma diferença entre tirar partido de um ambiente de media em acelerada mudança e assumir que o You Tube é o James Bond do século 21, entre perceber que para um qualquer filme tornar-se viral é uma consequência ou acreditar que se trata de um objectivo, entre actualizar-se e tornar-se modernaço.

True power should not be shared. Entre nós, se resolveu acelerar os pouco mais de quatro minutos das partes 1 e 2 abaixo, não me parece que alguém possa levar a mal. Tão pouco se ignorar que ainda há mais.

100.000 dólares por segundo

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Todos os anos a América pára para assistir ao Super Bowl. Literalmente. No ano passado a vitória de New Orleans sobre Indianapolis foi acompanhada por 106 millhões de pessoas. O número impressiona mas está muito longe do obtido pelos três programas mais vistos na história da televisão nos Estados Unidos, de acordo com a Nielsen Media Research: o Super Bowl XLIII, transmitido pela NBC, em 2009, para 151,6 milhões de pessoas, o Super Bowl XLII, que a Fox fez chegar a 148,3 milhões de pessoas em 2008 e o Super Bowl XXXVIII, acompanhado em 2004 por 144,4 milhões de pessoas na CBS.

Não é estranhar que este seja o intervalo publicitário mais caro do mundo: cada 30 segundos custam quase três milhões de dólares. Não tanto, ainda, porque nos últimos dois anos a crise fez inverter a histórica e constante subida do preço. Assim como assim esse também nunca foi motivo para afastar anunciantes, que normalmente esgotam o espaço disponível com alguns meses de antecedência e investem em produções hollywoodescas tornando a publicidade quase tão popular quanto o evento em si. Um dos mais famosos exemplos é o anúncio de 1984 da Apple realizado por Ridley Scott exclusivamente para o Super Bowl, que se pode ver aqui.

É também por isso notável o que tem feito a Doritos ao apresentar-se com filmes concebidos e seleccionados pelos seus consumidores, muito embora sejam cada vez mais os profissionais do ramo a disputar também um lugar entre os eleitos. Este ano volta a acontecer o mesmo, agora em parceria com a Pepsi. Crash The Super Bowl é o site onde hoje, até ao final do dia, ainda poderá ajudar a escolher quais os anúncios, entre os 10 finalistas, que irão ao ar. Uma forma inteligente e bem sucedida de estender os 30 segundos do Super Bowl no tempo, usando os social media para criar envolvimento e gerar conversas à volta da marca, dessa forma contribuindo para maximizar o impacto da televisão. Nada muda, nada se perde, tudo se transforma.

Dramatic Shift in Marketing Reality

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Para quem ainda os desconhece, os detalhes do que se passou com a Ensitel podem ler-se aqui, onde tudo começou, ou ver-se aqui, por onde continuou. Qualquer que seja o desfecho, aqui chegada a marca estará condenada a fazer parte da História ao ser a primeira em Portugal a protagonizar um caso com tamanha repercussão na Era Digital.

Aconteceu na mesma semana em que a Time elegeu como a personalidade do ano Mark Zuckerberg – o CEO de fraldas, chamam-lhe, que gere a plataforma onde o planeta passa 5% do tempo total dispendido online e onde, a cada minuto, decorrem 1,789,736 interacções.

A saber, detalha-o a Time: 510,404 comentários, 382,861 likes em posts, 231,605 mensagens enviadas, 135,849 novas fotos, 98,604 amizades aprovadas, 82,557 status updates, 79,364 posts na wall, 74,816 convites para eventos recebidos, 72,816 likes em páginas, 66,168 tags em fotos, 55,304 links partilhados.

Com mais de 500,000 milhões de utilizadores em todo o mundo o Facebook é um fenómeno impar. Ainda assim, apesar da dimensão, é apenas um dos muitos veículos de produção e disseminação de conteúdos que o consumidor (eleito pela mesma Time como personalidade do ano em 2006) tem hoje ao seu dispor. Acrescente-se o You Tube (2005), o Twitter (2006) ou o iPhone (2007) e é sem espanto que nos deixamos espantar com o ritmo acelerado dos último cinco anos e com a grandeza do seu impacto na sociedade.

Mas ainda há quem não tenha percebido, ou prefira não perceber, que 1) o mundo realmente mudou, observando-se uma profunda alteração nos media mas, sobretudo, nos hábitos dos consumidores, 2) detendo estes hoje uma enorme capacidade, e uma irrevogável vontade, de intervenção, e 3) como tal, da comunicação ao customer service já nada é “business as usual”.

Todas estas frases feitas que, apesar de tantas vezes repetidas, ainda parecem soar a novidade. Mas não o são. De todo. “Dramatic Shift in Marketing Reality”, vídeo que estreou no You Tube há precisamente dois anos, prova-o (obrigado ao Miguel Kreiseler por trazê-lo de volta). Nada daquilo que se assiste é novo. Nem um fenómeno passageiro.

Como sempre, como dantes, quem ignora a História, arrisca-se não apenas a repeti-la como a fazer parte dela. Nem sempre pelas razões desejadas.

When everyone zigs, zag

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É brilhante e inspiradora a jogada acima, protagonizada por um jovem jogador da equipa Driscoll Middle School, de San António, no Texas. Um rasgo de génio que muito tem dado que falar. Contudo, tem uma grave limitação: dificilmente será repetida com o mesmo êxito.

É esta a essência do marketing na Era Digital. A força de uma ideia está sobretudo na sua capacidade de surpreender e cada vez menos na imposição pela força. O que significa criar tensões e sair das zonas de conforto. Sobretudo porque já não há fórmulas mágicas, passíveis de serem repetidos depois de testadas com resultados. É precisamente esse o desafio: o sucesso deixou de ser um destino com rota bem definida, tem de ser conquistado a cada dia que passa.

T-Mobile. Oops I did it again

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Desta vez foi no aeroporto de Heathrow. Depois da Liverpool Station e de Trafalgar Square, a T-Mobile volta a insistir numa fórmula, os flashmob, que aos resultados impressionantes acrescentam algo de um valor inestimável, um sorriso.

Mais que o passa a palavra espontâneo ou os milhões de interacções online, a marca encontrou através deste conceito de activação uma história que envolve, e se presta a ser contada ao longo de vários capítulos, mas que sobretudo lhe oferece uma imensa simpatia e ligação emocional.
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Lembre-se o clássico exemplo, também de origem inglesa, do 118 118 e dos seus Mistery Runners (caso aqui) para que rapidamente se entenda como estes argumentos são tantas vezes decisivos no momento de decisão de compra. Numa altura em que cada vez mais se procura relevância, envolvimento inovação, a pergunta que deverá fazer é: teria tido a coragem de o fazer, sabendo-se que de low budget esta acção não teve nada? Hoje por hoje o caminho é o de desbravar caminho mas de boas intenções estão os planos de marketing cheios.

Arcade Fire + Google Chrome = The Wilderness Downtown

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Ou, por outras palavras, um montra do browser Google e da tecnologia HMTL 5 num filme – ou “experiência” como se auto-denomina -, com realização de Chris Milk – que conta com nomes como U2, Kanye West e Audioslave na obra já feita – que é tão surpreendente quanto disruptivo: estará para a comunicação visual na indústria da música da era digital como “Video Killed the Radio Star”, que inaugurou a MTV, esteve na era dos “80s”.

E só parece um exagero até clicar aqui.

Uma descoberta via Sónia Henriques