Há 10 anos era A Internet – embora demasiadas vezes sem saber muito bem porquê ou para quê, não havia marca , empresa, instituição ou personalidade que se prezasse que não tivesse uma website. Hoje é NA Internet, em torno das redes sociais, que acontece semelhante fenómeno e com a mesma irracionalidade.
De novo, o efeito bandwagon: todos querem lá estar mas pouco sabem realmente o que é, como funciona, para que funciona. Exemplo disso é Filipa Cardoso artista que acrescentei recentemente à minha lista de “amigos” no Facebook e de quem recebi recentemente convite para me tornar fã.
Ao fazê-lo, inadvertidamente admito, parece que concedi à própria salvo conduto para a minha intimidade. E a Filipa Cardoso, que se tornou fã da Filipa Cardoso (o que revela soberba auto-estima), sugere que me torne fã… dela própria. Acontece que ser fã não é um manifesto de intenções que se decrete com um clique. Sempre foi e sempre será mais que isso. É importante que a Filipa o perceba. Assim como a Atlanta DVD ou o Grupo Automóvel Vesauto S.A., que me seguem no Twitter (seguramente à espera de um tweetback) têm de o perceber. Ninguém entra num dialogo aos berros. Se se quer fazer ouvir normalmente começa por ter a capacidade de escutar, de se envolver na conversa, de criar cumplicidade, de dizer ou fazer algo que seja interessante, de entender como pode ser relevante.
A Web 2.0 (que não é mais do que a junção entre o conteúdo gerado por utilizadores e a amplitude de difusão que lhe conferem as redes sociais) não é diferente da vida real mas sim parte integrante da mesma. A Filipa não andaria na rua a perguntar “queres ser meu fã?”. Seguramente não se lembrará da última vez que foi almoçar com um stand de automóveis, como a Vesauto. Tão pouco terá presente a sua mais recente troca de inconfidências com um filme em DVD – da Atlanta, por exemplo.
Agora, como há dez anos, não fazer nada continua a ser uma óptima opção estratégica. Na dúvida, a melhor de todas, até que se perceba como fazer alguma coisa de jeito.
Boa tarde. Por motivos óbvios escondo-me sob uma capa que só a web 2.0 permite. É grátis, fácil e, no meu caso, permite-me desabafar o que tenho vergonha em declarar.
Não compreendo o porquê da sua revolta contra a utilização das redes sociais. Aliás, o facto de mencionar uma artista (que eu desconhecia e que por acaso até percebi que tem talento nos poucos minutos que ouvi a página do myspace), só demonstra uma das grandes máximas da publicidade: falem bem ou mal de mim, desde que falem. Comigo funcionou pois fui ver e ouvir.
Você também tem um blog e pelos vistos twitter e FB, portanto está dependente das ditas redes sociais e dos seus frequentadores que descreve como pessoas imberbes e ignorantes nestas lídes. Mas, curiosamente, é uma delas.
Ninguém aceita o convite de um “amigo” no FB inadvertidamente e pode sempre apagá-lo quando desejar.
Permita-me que discorde da sua análise entre o mundo 2.0 e o “tradicional”. Se um complementa o outro é natural que seja utilizado nas áreas que um deles falhe por motivos óbvios. No caso desta jovem fadista, o FB permite-lhe chegar a mais pessoas num piscar de olhos. Todos sabemos o extraordinário desempenho profissional das editoras e demais agentes musicais que é quase igual a nulo. Ora se um artista pode tornear essa realidade, porque não fazê-lo? É exactamente para isso que servem as redes sociais e não para trocar galhardetes e mimos e quizzs que só servem para perder tempo.
À sua conta esta Filipa Cardoso já é conhecida por mais uma pessoa: eu. E isso é que conta.
Obrigado pela atenção.
Caro anónimo,
Agradeço o comentário e faço-lhe o desafio: tenha a gentileza de voltar a ler o post mas agora sabendo que não existe da minha parte qualquer “revolta contra a utilização das redes sociais”. É absolutamente o oposto. São parte integrante e fundamental na afirmação da individualidade de cada um e do nosso valor como um todo. Ou como refere a Cisco, no seu já iconográfico manifesto “Human Network”, vivemos uma época em que “pessoas subscrevem outras pessoas e não revistas”. Essa mudança de hábitos de interacção, e o seu impacto no consumo de media, por exemplo, está na origem de uma das mais significativas alterações culturais em décadas. Definitivamente “somos mais poderosos juntos que jamais seremos separados”.
Explicado isso, que pode estar menos claro no texto escrito, ou na interpretação que dele fez, é importante saber usar o social marketing, e é essa chamada de atenção que aqui se faz. Num contexto de diálogo é fundamental saber conquistar um lugar na conversa.
A iniciativa da Filipa Cardoso, cujo talento desconheço e que tem a particularidade de partilhar o nome com uma grande amiga, é um exemplo do que se deve acautelar. Do que lhe interessa ter uma imensidão de pessoas pretensamente suas amigas, fãs ou seguidoras se aquilo que lhes diz elas não ouvem? Se respondeu “porque não lhe custa nada”, volte a tentar.
Antes sequer de falarem bem ou mal de si importa sequer que lhe dêem atenção. Além disso, essa que é, como diz, uma das “grandes máximas da publicidade” tem as suas nuances. Assim não fosse e seguramente não se refugiaria você próprio no anonimato – ainda que o seu comentário tenha chegado com identificação de email e IP (embora não tenha intenções de usar ou divulgar qualquer um dos dois).
Grato pela atenção.
Eurico Nobre