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Ao ataque, terá gritado quem resolveu deitar a pesquisa do You Tube abaixo, há alguns minutos. Tente-se procurar alguma coisa e o resultado será sempre este: erro 500 a ser resolvido por… uma equipa de macacos altamente treinados.

Deixem-me que vos apresente Leon um homem que, aos 64 anos, deu que falar num concurso de talentos da televisão belga. Antes de mais, observem como dançou numa das provas de “So You Think You Can Dance”.

Visto isto, poderá perguntar-se: o que tem de espectacular? O bailarino Leon absolutamente nada. A ideia que o levou à televisão, essa sim, está a dar que falar. Afinal este é um falso concorrente, inscrito como parte de uma campanha para incentivar o consumo de leite – na maioria dos países europeus, ao contrário do que acontece em Portugal, bebe-se leite sobretudo na infância.

Enganou júris e produção, que só foram informados depois de o programa ter ido para o ar, mas encantou o público. E ajudou a passar a mensagem do filme original: beber leite diariamente é uma importante ajuda para se manter em forma.

Com isto, nasceu uma estrela e escreveu-se mais uma página do sobre o admirável mundo novo das marcas e do marketing, no qual é preciso ter a visão e a coragem para desafiar o instituído, porque fazer mais do mesmo é apenas garantia de resultados do costume.

Depois disto, dificilmente os concursos de talentos serão os mesmos: mesmo que a atitude do júri se mantenha – embora, como aqui se tornou claro, seja ténue a fronteira entre arrogância e ridículo – definitivamente os acordos com os concorrentes passarão a ter mais uma ou duas cláusulas.

Via Cross The Breeze.

A Toms é uma marca que tem por base uma ideia espantosa: por cada par de sapatos que vende oferece outro par a crianças, um pouco por todo o mundo, que nada têm para calçar.

É a diferença entre poder ou não ir à escola, em muitas comunidades. É o suficiente para evitar a disseminação de doenças, em muitos países menos desenvolvidos que têm nos parasitas que se refugiam na terra um poderoso inimigo.

Simples e seguramente eficaz é um extraordinário exemplo de uma boa prática de sustentabilidade para uma marca (Richard Huntington hesitou em defini-la como Dynamic Micro Brand ou Little Lovemark) empenhada em fazer a diferença, enquanto permite a cada um dos seus consumidores fazer o mesmo. Mais de 300.000 pares de sapatos distribuidos provam o êxito e força crescentes desta ideia.

Pode comprar aqui.

Koda

Mais profissional que o Facebook, mais pessoal que o LinkedIn. É assim que se apresenta Koda a “Opportunity Community”, cuja ambição é fazer a ponte entre talentos, empresas e oportunidades.

Posicionada entre dois gigantes das redes sociais, o que se segue para esta comunidade, lançada no final de Maio, é demasiado cedo para avaliar. Dependerá de quão relevante se revelar a proposta de valor – sobretudo quando o serviço se tornar pago, o que não tardará – e de quão depressa conseguir obter massa critica, tanto do lado de quem procura como de quem oferece uma oportunidade – o que não será mais difícil do lado das ofertas que dos candidatos.

Em todo o caso, sugiro a criação de um perfil em Koda. Mais não seja porque a tipologia de questões propostas obrigarão a parar para pensar, em si, no que faz, no que quer fazer, sob um perspectiva diferente. Só isso merece a pena.

Learn Something Everyday

sep10

Sabia que os gatos passam 70% do tempo a dormir? Ou que no Texas é ilegal “grafitar” uma vaca?
Colorido, divertido e, claro, actualizado diariamente, Learn Something Everyday é um inevitável desbloqueador de conversa matinal. Reforme-se o “já viu o tempo que está hoje?”

Site AESE_067

Nas últimas semanas de faculdade, há pouco mais de dez anos, dediquei-me a recolher os contactos de quem, por uma razão ou outra, ainda não tinha. A maioria ofereceu-me o telefone de casa, muitos o telemóvel. Uma lista em papel que foi da maior utilidade quando, uns anos depois, contribuí para dar forma a um jantar de reencontro de que resultou uma versão actualizada da agenda. O telefone de casa, que passou a rarear, deu então lugar ao cartão de visita da empresa. Da maioria guardei o telemóvel, quase sempre actualizando o número anterior, ainda da época do 0931 e 0936, ou acrescentando mais um, e o email, entretanto promovido a contacto preferencial. Hoje, para mantermos contacto, usamos a Internet.

É-nos tão evidente e quotidiano que já nem nos questionámos porque razão, de forma repentina e quase ser darmos por isso, esta se substitui a outra vias de contacto. Contudo, o extraordinário é que essa ligação, que permite uma interacção próxima e regular, revela-se mais dinâmica do que jamais foi por outras vias. E tanto serve de base para partilhar a fotografia de mais um filho como uma oportunidade de negócio, um vídeo com interesse ou uma oferta de emprego, uma experiência profissional ou uma sugestão de viagem. Mais extraordinário ainda é que essa ligação se estende deste para outros grupos de pessoas, de outros anos, de outros cursos. E enquanto cresce, esta é uma rede que se dinamiza e auto-regula. Sem recurso a avultados investimentos ou talentos informáticos especiais. Pelo contrário. Esta é, pois, uma simples mas evidente expressão de quão poderoso é o upgrade que permitiu à World Wide Web apresentar uma versão 2.0. O que é a web 2.0 de que tanto se fala? Trata-se sobretudo da explosiva combinação de duas dimensões, o user generated content e o social networking, que está a contribuir para uma acelerada alteração de hábitos, na forma como nos relacionamos e hierarquizamos as fontes de informação. Que faz de cada um de nós um ”meio de massas”, a quem é permitido produzir conteúdo e rapidamente o veicular para um número significativo de pessoas.

De diferentes formas, com distintas abordagens, são muitas as universidades e escolas de negócio que têm procurado tirar partido desta “nova” realidade, nalguns casos criando as suas próprias redes (essa foi, aliás, uma das motivações que esteve na origem do Facebook), noutros disponibilizando vídeos com aulas ou mesmo formações completas (veja-se o exemplo de Academic Earth, que reúne sete das mais reputadas universidades norte-americanas: Berkeley, Harvard, MIT, Princeton, Stanford, UCLA e Yale). Seja qual for o caminho, o essencial é que neste ambiente colaborativo não fazer nada, não é opção. Porque mesmo de forma “não oficial” alguma coisa já estará a acontecer. Com instituições de ensino e empresas – em torno das quais as pessoas se organizam, por exemplo em grupos de alumni espontaneamente criados no Linkedin – personalidades ou marcas – seguidas, nalguns casos por milhões de fãs, em redes como o Facebook.

A oportunidade? Tornar o momento de formação, um activo que por si só molda e marca, numa contínua transformação, promovendo a ligação e colaboração entre alunos, alumni e claustro. Como? Usando a capacidade agregadora da escola para estender a experiência no tempo, de forma continuada e sustentada. Ou seja, fazer do último dia de aulas o princípio e não o fim.

Originalmente publicado no Diário Económico de 08.09.2009

Leads to something exceptional. In an Absolut world.

O inspirador novo filme da Absolut Vodka. Também disponível no Facebook, onde a marca apresenta os bastidores e discute o trabalho com os seus mais de 440 mil fãs.

Seria pouco mais que cliché citar a integração de meios aqui proposta – não há campanha que o não considere hoje, sobretudo com as redes sociais a assumirem um papel de relevância crescente. Apesar disso, não me parece ainda tão evidente o despertar em Portugal para a importância do Facebook enquanto plataforma de comunicação. Talvez porque o seu extraordinário crescimento não seja assim tão evidente. A saber: há um ano tinha pouco mais de 50.000 perfis. Há três meses cerca de 300.000 mil. Há dias mais de 500.000 mil. Com um rigor e ferramentas ímpares é uma oportunidade à espera de ser aproveitada. O último a chegar, faça o favor de fechar a porta.

AP071210047404_20090811083156_320_240.JPGMais rápida e mais precisa. É assim que se anuncia a nova versão do motor de busca do Google. Nome de código Caffeine.

E, claro, já está disponível uma versão de teste aqui. Outra coisa não seria e esperar, tendo estado o Google na origem do Beta perpétuo (isto é, versões constantemente em evolução e nunca definitivas, ao contrário da norma na indústria de IT com o lançamento de upgrades, patches, etc).

Melhor ou pior que o actual? Veja um teste aqui.

Don Tapscott é um dos mais influentes pensadores da actualidade. Numa inspirada apresentação sobre o tema “Rebuilding The World”, título do seu mais recente livro, é de forma particularmente efusiva que cita Portugal como um dos bons exemplos sobre como mudar o mundo.

Como refere, outros países deveriam inspirar-se no princípio do Magalhães (um computador por aluno) para desenvolver um novo projecto de ensino, mais moderno e sobretudo mais desafiante e participativo. Para ver a partir do minuto 11, sendo que vale a pena seguir cada segundo até lá.

Via Sérgio Gonçalves.

Hecho en Portugal

Mais do que uma fronteira o que nos separa de Espanha é toda uma (falta de) atitude. Alguém mo definiu brilhantemente em tempos: ”Enquanto as maiores potências conhecidas, chegámos a partilhar o mundo. Hoje Espanha continua a actuar como se ainda fosse rainha e senhora, enquanto Portugal reserva-se ao saudosismo e ao desconsolo de já não ser grande.”

Reforçou esta mesma ideia a edição de 18 de Junho do Diário Económico que me acompanhou na partida para férias. O tempo que normalmente não tenho permitiu uma leitura mais detalhada. A par da actualidade, a capa chamava para as páginas 6 a 9, despertando a atenção para um artigo dedicado a apresentar as empresas “nacionais que dominam Espanha”. Corticeira Amorim, Logoplaste, Sonae Sierra, Transportes Luís Simões, Martifer, Renova, Emparque e Lactogal todas perfilam exemplos de sucesso. Com maiores ou menores dificuldades todas também relatavam experiências sobre como o mundo está realmente mais plano – “o mercado relevante deixou de ser o mercado doméstico português para passar a ser o mercado global”, refere José Passinhas, Administrador da Lactogal – e Espanha acrescenta 50 milhões à base de clientes potencial. Contudo, são vários os cuidados a ter no desenho de uma estratégia de entrada neste mercado: entre outros, é critico ter operação montada do próprio país e, a menos que se tenha um produto dirigido a massas e “poder de fogo”, é recomendável fazer uma abordagem região a região,

Mais importante ainda: é preciso ser persistente. Como refere Jorge Coelho, da Mota Engil, “as empresas espanholas só têm receptividade para falar quando é para serem elas a entrar em Portugal”. Acrescenta Filipe de Botton que esta atitude espanhola “revela um nacionalismo positivo que adorava ver em Portugal.” Em Espanha esta é uma atitude partilhada por empresas e estado, cientes certamente de que um negócio só é um bom negócio quando não se dá mais que aquilo que se recebe.

Recolhi-me na cadeira do avião por uns instantes, satisfeito pelos bons exemplos e pelas boas ideias. Mas só até à página 49. “Acordo entre Caixa Galicia e CTT permite abrir conta nos correios”, lê-se. O objectivo é “captar potenciais clientes sem que estes sejam obrigados a deslocarem-se a um balcão do banco”. Até porque o banco tem apenas sete, concentrados sobretudo a Norte. Como este “acordo comercial”, o administrador da Caixa garante que não se trata de “uma parceria”, a Caixa passará a ter acesso à maior rede de distribuição do pais. Alguma coisa contra? Nada. Se os Correos de España tivessem semelhante gentileza. Dobrei o jornal e liguei o iPod.

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